sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

“As grandes obras nascem aos pés da cruz”


A Cruz: O distintivo do missionário

Chama-se Francisca e faz parte dos mais de cem pigmeus leprosos que vivem em Mongoumba. Tem nove anos e uma personalidade rebelde que faz os adultos perderem a cabeça. Já o seu pai tinha estado leproso e, com o tratamento, conseguiu curar-se.
Com a Francisca, os seis meses de tratamento foram uma luta quase diária. Sem tomar os medicamentos com regularidade e percorrendo a floresta e a aldeia de ponta a ponta sem dar satisfações a ninguém, esta menina tornou-se mais que um elemento de contágio para as suas companheiras, um problema para ela mesma.
Com o tempo, apanhou outra doença – o PIAN – que é uma doença que provoca chagas em todo o corpo. Aí, cheia de dores, veio ao nosso dispensário e comprometeu-se a seguir todos os tratamentos que lhe recomendássemos.
O tempo passava e a Francisca vinha com regularidade fazer os curativos, contudo, quase todos os dias, nos chegava sem a ligadura do pé… as pessoas da aldeia roubavam-lhe mesmo a ligadura!
O nosso sentimento de limite e de impotência era quotidiano mas a esperança e a fé não nos faltavam, de maneira que íamos animando a pobre criança.
Pouco a pouco o PIAN desaparecia e as marcas de lepra também. Claro está, mesmo antes do tratamento acabar, a nossa Francisca voltou a desaparecer. A floresta é o seu mundo e, como todos os pigmeus, a sua liberdade é a maior riqueza e o maior valor que possui.
Procurei-a no acampamento e na aldeia… nada!
Passados uns meses, de visita ao seu acampamento, encontrei-a com as suas amigas de sempre. Estava linda a Francisca. Nem um sinal de lepra ou de doença. Deus seja louvado!
A batalha agora é outra: a Francisca e as suas amigas não vão à escola e, sempre rebelde, a nossa Francisca não ajuda nada as outras crianças que querem ir à escola… A ajudar ao problema, as pessoas da aldeia obrigam-nas a trabalhar os campos quase gratuitamente…
Mais uma vez o nosso limite está a descoberto: que fazer para ajudar estas crianças? Que fazer para prepará-las para lutarem contra a descriminação a que estão sujeitas diariamente?
Por aqui, continuamos nesta luta diária contra a discriminação racial que é, sem dúvida, a maior de todas as lepras que aqui temos. Confiamos, pois, o tratamento e a erradicação desta “doença” nas mãos de Deus. Contudo, sem repouso, com ELE vamos lutando em cada dia, mesmo se a experiência de limite está sempre presente. Com Comboni, neste combate, confiamos que, na verdade, como ele dizia, “as grandes obras nascem e crescem aos pés da cruz”!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O rosto da Missão


A Missão feita de pessoas concretas

- “Madame Martin” – chamava-me o velho Martin. Como todos os Domingos, antes da missa, lá veio este pobre homem que, já cego e sem família, faz da nossa casa a sua casa. Chama-se “Madame Martin”, porque segundo ele, nós ainda vamos casar. É a maneira que ele encontra de, a brincar, se sentir mais da família.
Claro que, quando somos da família, podemos permitir-nos de reclamar.
Então, naquele Domingo, a seguir às saudações enquanto tomava o café (que deve estar sempre bem quente e bem doce), o Martin começou uma habitual ladainha de lamentações:
- “Tu disseste que vinhas na segunda-feira lá a casa e não apareceste. Não me mandaste nada para comer. Eu que estive tão doente e tu nem te importaste…”
A Márcia com grande paciência lá se sentou a seu lado ouvindo as “queixas” que ele tinha da sua mulher.
Como já nos conhecemos há uns anos, quando me aproximei e o saudei perguntei-lhe:
- “Então, o que é que se passa?”
- “Ah!” – respondeu ele – “Madame Martin, eu sei que andas atarefada com a formação dos professores e que tens visitas em casa, por isso, eu estou a dizer à Márcia que tu não tinhas vindo lá a casa como tinhas dito, mas que eu percebo muito bem.”
Lá me desculpei como podia fazendo esforço para não rir da situação.
- “Depois” – continuou ele – “se tiveres aí alguma coisa para a diarreia tens que dar-me é que sabes, como não ando a comer bem, ando meio doente.”
Percebida a mensagem, disse-lhe que falávamos – como sempre – depois da missa.
Quando a missa terminou, como habitualmente, o grupo de S. Vicente de Paulo dividiu as ofertas pelos pobres e, claro, o nosso Martin recebeu o que tanto esperava.
Chegou a nossa cozinheira e, sempre disposta para a brincadeira, começou a dizer ao Martin:
- “Estás com sorte hoje. Eles deram muitas ofertas na missa.”
- “Não foi nada na missa. Foi a minha mulher que me deu.” – respondeu ele sorrindo
- “A tua mulher?” – continuou ela – “A Susana vai é casar com o meu bebé. Aliás, como é que tu pensas conseguir pagar o dote?”
Entre disputas cheias de gargalhadas de parte a parte, vendo a hora que passava, peguei no Martin pela mão e disse-lhe:
- “Ah, Martin, vai-te lá embora que o que ela tem é ciúmes.”
Todo contente de toda esta atenção, lá se levantou para regressar a casa. Mas, como nestas idades há coisas que nunca falham, enquanto o acompanhava ao portão, Martin fez ainda uma ladainha de pedidos que eu deveria aceder durante a semana.
Claro que não poderei dar resposta a todos eles, por isso, no próximo Domingo, como todos os Domingos, ainda me vou divertir com este velhinho que desde sempre vem à Missão.
Cada vez que vê uma de nós regressar ao seu país, este pobre chora a despedida. Não que o tratemos diferente dos outros pobres mas, como diz ele: “Eu sou um grande missionário como vocês por isso é que me custa vos ver partir! Vocês são a minha família!”
São estes nadas partilhados com a família que formamos cá deste lado que vão dando sentido à Missão. São estes rostos cheios de histórias e de experiências de vida que nos alegram e dão força para seguir em frente nesta missão que Deus nos confiou e confia em cada dia.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Movidos pela Esperança


Testemunhas da Esperança

Pauline era uma jovem pigmeia de 14 anos quando, durante uma tempestade, uma árvore lhe caiu sobre a perna. Nessa altura, veio à Missão pedir-nos ajuda. A Carmen, (LMC espanhola), correu para Bangui. Nos hospitais, todos eram da mesma opinião: “é melhor amputar. É a única solução.”
Longe de aceitar estas palavras, Carmen falou finalmente com o Dr. Onimus – um médico cirurgião francês que vem três ou quatro vezes por ano à República Centro Africana para operar crianças. O Dr. Onimus, propôs-se a operar a Pauline. Depois da operação, ela ficou com o gesso durante mais de dois anos. Durante este tempo ficou a viver no nosso centro de reeducação para deficientes motores.
Finalmente, chegou a hora de tirar o gesso. O osso e ferida da perna tinham cicatrizado mas a Pauline continuava sem poder andar. O tendão tinha ficado demasiado tempo esticado… Sem se deixar levar pelo desânimo, o Dr. Onimus voltou a operar a Pauline. Desta vez foi uma operação simples.
A Pauline regressou à floresta ainda que tivesse medo de andar.
- “Pode voltar a partir-se!” - Dizia ela quando a incentivávamos a andar.
O tempo passou e a Pauline, já com quase 20 anos, ficou grávida. Aos 6 meses de gestação, teve, de parto prematuro, dois gémeos: um menino e uma menina. Os dois juntos, não chegavam a pesar três quilos! Como aqui não há um verdadeiro hospital, as crianças morreram ao fim de três dias. A Pauline ficou de rastos.
Passadas umas semanas, uma senhora (também pigmeia) morreu durante o parto. Pedimos à Pauline se não se queria guardar esta criança como se fosse sua. Ela aceitou. No entanto, a criança sofreu uma infecção pós-parto tão forte e acabou por morrer ao fim de dois dias.
A Pauline não abria a boca para protestar nem chorava a perda. Estava a sofrer demasiado para querer ser consolada.
Sempre que íamos passando pelo seu acampamento, saudávamo-la e, sempre que ela vinha à aldeia, passava na nossa casa para pôr a conversa em dia.
O tempo foi passando. Ao fim de alguns meses, passando no seu acampamento, reparei que a Pauline estava grávida. Então perguntei-lhe:
- “O que se passa com a tua barriga que está tão grande? Andas a comer muito peixe ou é da mandioca?”
Envergonhada, ela sorriu. Então, mais a sério, perguntei-lhe como estava e, num gesto sem palavras, fez-me perceber que nem queria pensar no que tinha acontecido no passado. Abracei-a dizendo-lhe que tudo iria correr bem.
Graças a Deus, algum tempo depois, a Pauline veio visitar-me trazendo nos braços… a pequena Pauline de dois meses. Era grande a sua alegria em me mostrar esta bebé gorducha e cheia de saúde.
São estes os contornos do dia a dia vivido no coração da África: uma eterna luta constante pela vida onde a oração e a esperança se tornam as únicas armas capazes de quebrar a corrente do sofrimento e da morte.
Com a Pauline, conhecemos a dor e a luta pela sobrevivência. Mas, como ela, recebemos de Deus o conhecimento e o sabor da vida quando esta é vivida com fé e esperança.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Ramadão: festa cristã(?)


Ser Cristão é ser Missionário

Era a festa que anunciava o fim do Ramadão. A Comunidade Muçulmana celebrava o fim de 30 dias de jejum e de sacrifícios. Para nós, era tempo de vencer barreiras e lutar pela boa continuação das nossas relações.
É certo que, por aqui, nunca tivemos problemas ligados à luta de religiões, mas há que continuar a evangelizar “a tempo e a contra-tempo”.
Assim, convidamos as crianças muçulmanas a celebrar connosco esta festa.
O dia era chuvoso e ninguém chegava à Missão. A Márcia e eu que estávamos a tentar acabar de pintar uma das nossas escolas e íamos estando atentas ao que ia passando no caminho. De repente, umas trinta crianças muçulmanas, com gargalhadas bem sonoras, corriam em direcção à nossa casa.
Com as mãos bem cheias de tinta, corremos nós também, para as recebermos.
A Márcia pegou na saca dos rebuçados (que tínhamos preparado para esta ocasião) e eu na máquina fotográfica. Fomos todos para o jardim da casa e lá, no meio de cânticos e danças árabes fizemos a festa.
As crianças, os rebuçados e a máquina fotográfica foram ganhando as cores com que eu e a Márcia estávamos a pintar a escola e, como qualquer grande família (onde todos são ilhós do mesmo Pai), à noite os pais destas crianças enviaram-nos um dos pratos típicos desta época. Um gesto simbólico que é para nós um símbolo de paz e de fraternidade.
Neste mundo onde a luta de religiões é constante, a nossa identidade, aqui deste lado, não se perde, ao contrário, é o respeito pelas nossas diferenças que nos unem e nos fazem crescer.
Sem fanatismos nem descriminação, vamos traçando novos caminhos de paz onde todos podemos festejar juntos o Deus da Vida.
Nas nossas escolas católicas, as crianças muçulmanas são também uma presença constante. Com elas, sem conflitos, rezamos e partilhamos a alegria de ser Filhos de Deus.
Também aqui, as crianças, num espírito missionário, partilham o entusiasmo de aprenderem e celebrarem Jesus – o Filho de Deus.
Em muitas das visitas do nosso presidente da Câmara (muçulmano) à Missão, discutimos com amizade sobre os pontos que nos unem, não procurando reduzir a nossa dimensão religiosa ou a nossa fé mas procurando, naquilo que nos une, novos caminhos de paz para todos, independente da religião a que pertencemos.
Recordo as suas palavras quando veio à nossa igreja para assistir à chegada oficial da nova comunidade comboniana, na presença do bispo e de toda a comunidade cristã, este muçulmano ousou subir ao altar e com voz forte dirigiu-se à Comunidade Cristã:
- “Saúdo-vos em nome de Cristo” – disse ele – “Hoje a Igreja Católica é abençoada com a chegada destes dois padres. Peço-vos que os acolhais bem e que não haja nem na vossa vida nem na vossa oração, divisão ou discórdia. Sede coerentes com o que diz a Igreja e com a Palavra de Deus”
Porque somos cristãos, que a nossa coerência nos leve, pois, num espírito missionário, a celebrar com alegria o Deus da Vida com todos os que nos estão ora mais próximos ora mais afastados.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Acreditar é viver do Espírito


Creio no Deus Criador!

Chama-se Persa e tem quatro anos. Naquele Domingo, vencendo a timidez tão típica desta idade, à saída da missa veio na minha direcção e, olhando-me bem nos olhos disse: “quero ser baptizada!”
À minha volta circulavam os jovens que tinham sido baptizados no Domingo anterior. Vestidos com a mesma veste branca do dia do Baptizado, eles tinham percorrido 20km a pé para participar na Eucaristia.
Persa, sem dúvida impressionada com esta manifestação de fé, queria, ela também, ser baptizada.
Aqui os baptismos são preparados com uma catequese específica que começa quando as crianças têm já dez anos, por isso, todos se começaram a rir do pedido desta criança, que, com os olhos esbugalhados, continuava a fixar-me sem dar grande importância às reacções dos mais velhos.
Baixei-me e, bem perto dela, disse-lhe:
- “Não percebi bem. O que é que tu queres?”
- “Ser baptizada!” – respondeu ela.
As gargalhadas dos que nos rodeavam fizeram-se sentir de imediato. Para mim, um pedido destes não é caso para rir. Então, peguei-lhe na mão e, alto para que todos ouvissem, disse-lhe:
- “Se queres ser baptizada vamos ver o senhor padre.”
Todos ficaram estupefactos, interrogando-se se o padre iria baptizá-la.
Fui com ela à sacristia e, quando saiu toda a gente, disse ao P. Giuseppe que a Persa tinha algo a pedir-lhe. Ele sentou-se fazendo um gesto à criança para que ela se manifestasse. Persa, com coragem e determinação, repetiu as mesmas palavras: “quero ser baptizada”, disse ela.
O padre olhou-me perplexo e, encorajando-a, explicou-lhe, de uma maneira simples, a importância do baptismo e que, por isso mesmo, a Persa teria de começar a frequentar um grupo que temos cá na paróquia para os pequeninos desta idade – “As crianças da paz”.
Ela confirmou que já estava a frequentar o grupo. Na verdade, a mãe dela é uma das animadoras paroquiais deste grupo.
Assim, dizendo-lhe para continuar nesse caminho, lá fomos fazer uma foto de grupo com os novos baptizados e com a Persa.
Não é fácil encontrar esta determinação nas crianças e jovens. Mas, porque Deus opera sempre no coração do Homem e faz maravilhas que nós não podemos sequer pensar ou imaginar, Persa ficou encantada com o exemplo e testemunho destes jovens que ousaram dizer NÃO à celebração da Palavra nas suas capelas para dizer SIM à Eucaristia dominical (mesmo se isto significou percorrerem 20km a pé).
Esta manifestação de fé faz-nos questionar sobre o testemunho de fé que damos. Seríamos nós capazes de caminhar 20km todas as semanas para participar na missa? Seríamos nós capazes de afirmar publicamente a nossa fé e a nossa concordância com o que é estabelecido pela Igreja?
Este exemplo cristão é força e desafio para dizermos, com a nossa própria vida: “Eu Creio!”

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Tudo em família


A Família Comboniana
ao serviço da Promoção Humana

O encontro estava marcado para aquela Terça-feira às três da tarde. O Sol era abrasador mas as cadeiras metidas à sombra das casas era o suficiente para que a nossa espera se torna-se mais agradável.
Naquela tarde, a nossa comunidade LMC com a comunidade de combonianos aqui presente, partimos para um dos bairros da aldeia para tentar recomeçar a trabalhar com esta Comunidade Eclesial de Base (CEB) que estava parada já há mais de 5 anos.
Esta comunidade, “apadrinhada” por S. Kizito, tem mais de 150 cristãos. Aqui, tentamos, com eles, ler a realidade a partir da Palavra de Deus.
Nesta tarde, poucos foram os que apareceram ao encontro mas isso não impediu a boa disposição de todos que, ora com a Márcia ora com o P. Jesús, iam deliciando-se com as fotografias que íamos fazendo.
Às quatro da tarde, éramos apenas uns vinte a estar presentes. Que fazer? Esperamos mais uma meia hora e, como ninguém mais se aproximava, rezamos juntos pedindo ajuda para esta CEB e para a Paróquia.
Nesta Terça-feira, não podemos eleger os líderes desta comunidade mas conseguimos, com os poucos presentes, descobrir dificuldades e soluções para o seguimento deste projecto pastoral.
Nesta comunidade, vive a família de um dos padres locais. A mãe – Carlota – apesar da idade e de viver sozinha há vários anos (o filho padre é o único que continua vivo), continua a ser um exemplo de força e de fé sobretudo no grupo de Legião de Maria aqui da Paróquia. É também ela que ajuda o seu irmão – Francisco – mais velho que ela e que, desde tenra idade ficou cego e paralítico após uma vacina mal dada…
Este velho, na sua cadeira de rodas e com todas as suas limitações, é catequista e um dos grandes animadores da liturgia. Só ele para saber de cor todas as leituras da missa e, claro, toda a história da Paróquia.
Assim, com estes “arquivos” vivos da história paroquial, esta tarde quente de Terça-feira tornou-se mais do que uma simples espera (por quem nunca chegou), ao contrário, tornou-se num convívio fraterno onde as lembranças do passado se misturavam com a vida actual.
O desafio está lançado e esta comunidade, com o Senhor Francisco e a Senhora Carlota, tem a oportunidade de recomeçar em favor de um desenvolvimento que caminhe de acordo com as páginas do Evangelho – um desenvolvimento que seja para todos independentemente da idade, raça ou condição física.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A porta da Fé? A Esperança e o Amor!


A fé: A força que nos move!


É um bocado difícil de prever o que acontecia às tantas crianças pigmeias de Kpetene se não houvesse uma escola no centro do acampamento. Na verdade, criamos esta escola a 5km da aldeia, em plena floresta, pois, todos os anos, estas crianças que aqui vivem, ao tentarem chegar à escola da aldeia eram desviadas para trabalhar os campos dos não-pigmeus. Estas crianças, de 5 a 7 anos, eram demasiado pequenas para se escaparem às mãos dos adultos e prosseguirem caminho. Assim, há três anos que esta escola oferece os dois primeiros anos de escolaridade.
Um dos problemas com que nos deparávamos era que, dada a humidade da floresta, o quadro da escola deteriorava-se muito depressa… que fazer? A escola nem sequer tinha muros para uma maior protecção!
Animamos os pais a construírem um muro que protegesse o quadro…
Uma manhã, como tantas outras manhãs, a Augusta partiu a Kpetene para visitar a escola e, qual não foi o seu espanto: um muro tinha sido feito quase até ao teto!
Que alegria! Sem pensar duas vezes, a Augusta foi partilhar a sua alegria e entusiasmo com os pais e alunos desta escola e claro no seu regresso, com ela vieram uns dez alunos que, com alegria, preparavam-se para regressar com o novo quadro da escola que, desde há alguns meses, os esperava na Missão.
A Augusta ia-lhes dando alguns conselhos pelo caminho e encorajando-os a continuar a construir a escola com os meios que eles tinham na floresta.
Quando chegaram, a Augusta bebeu e deu a beber aos garotos um pouco de água fresca e deu-lhes o quadro com todas as recomendações que se devem fazer a crianças que levam um quadro escolar para o meio da floresta densa!
Actualmente continuamos a animá-los a continuar o muro da escola e um novo grande quadro espera na Missão para ser levado para Kpetene logo que as condições para a sua instalação estejam reunidas. Agora, incentivamos pais e alunos a arranjarem também novos bancos e mesas (de acordo às possibilidades existentes na floresta).
Esta escola é, para nós e para os que aqui estudam, uma fonte de esperança que não nos deixa baixar os braços, ao contrário, mesmo se foram precisos dois anos para levantar um muro, acreditamos que o tempo será também, com a ajuda de Deus, o necessário para levantar o orgulho deste povo face à descriminação dos demais.
Em cada dia, constatamos que viver a Missão não é uma questão de coragem mas uma questão de fé – a fé que porta e mantém acesa a chama da esperança!